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A Pedra e a Flor e o CD Projeto Andaluza
Disco do guitarrista pernambucano Arthur Big Head mescla rock com ritmos nordestinos

Assessoria de Imprensa Arthur Big Head - arthurbighead@uol.com.br


Crônica nordestina da guitarra cangaceira. Pedra da fusão entre vários estilos e diversas expressões d’arte. Uma prosopopéia de timbres e sons. Produção fonográfica Arthur Big Head, 2003. Made in Recife, Bezerros e Caruaru.


Em duas versões:

*cd-box acrílico, transparente.

*cd-box embalagem super luxo (contendo: bonecos de barro, cordel, hq’s, adesivos).


Concepção do cd-box

A proposta é celebrar 10 anos de estética musical baseada em hibridismo cultural e fusion rock. Sincronismo e simultaneidade são aliados para criar uma feição própria, única, buscando identidade cultural pernambucana. Algo como um rg-lúdico-etnográfico.

A síntese está no projeto cultural Andaluza aprovado no Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura do Recife 2002, concluído em junho de 2003, ainda não lançado, intitulado: “A Pedra & A Flor” ou “A Verdade Como Regra das Ações” na filosofia de vida e morte. A ficha técnica é extensa, muita gente agregou novos valores, sem os quais, a obra não estaria completa.

ABH buscou duas vertentes, dentro da realidade factual nordestina, exemplos que personificassem perspicácia ao ideal. Partiu do principio “a verdade como regra das ações” do pensador Farias Brito e sua filosofia tupiniquim. Essa vertente filosófica foi iniciada com os professores Edson Melo e Thomas Sixel.

Ao mesmo tempo encontrou novos valores em personalidades nordestinas, quase míticas, que ainda falam muito diretamente para nossa alma tropical. Essa segunda vertente é uma facção mágica, uma lembrança de nossos antepassados afroameríndios. A Pedra & A Flor é uma crônica de sentimentos nordestinos envoltos pelo choque cultural, principalmente a uniformização proposta pela globalização.

Justamente a guitarra, instrumento estranho ao nordeste, é que conduz o relato. Uma demonstração da versatilidade do instrumento que para o trovador contemporâneo, ogan da guitarra, atualiza a crônica numa feira moderna (on-line). A prosopopéia da guitarra nordestina é uma imagem que bem pode expressar nosso atual estágio de evolução tecnológico e seu impacto cultural-etnográfico. A música sem fronteiras. Com sotaque original e sentimento universal.

O guitarrista contou com o apoio da banda MACONDO (Bruno-Eduardo-Perna) que interpretou de modo impecável a proposta. Além da partição do Maestro Ademir Araújo, Spok (sax), Nilson (trombone) e Fábio (trompete). O inusitado encontro da guitarra do ABH com J. Borges (xilógrafo e cordelista) na sextilha A Pedra e A Flor, além do Dj Cildo. Foi o ultimo disco gravado no Estúdio Luthier.

Produção musical ABH, Hubert Heisembauer e Denildo Araújo, que também gravou e mixou as faixas de 1 a 8. As faixas 9 e 10 foram gravadas e mixadas no RMS, que é o estúdio do Hubert Heisembauer. A produção musical destas é do ABH, juntamente com o Hubert, que em ambas tocou teclado, programou a bateria eletrônica e mandou ver nos efeitos. Finalmente o disco foi masterizado no Magic Máster (RJ) por Ricardo Garcia. Prensado pela CD Marca Registrada (CE).

O projeto gráfico é da Mª Alice que contou com xilos do J. Borges e do pequeno Pablo Borges. O hq cordel cibernético do Bruno Ferreira (Macondo) e o cordel Comix do Sill. Além do cordel A chegada de Lampião no Inferno, do José Pacheco, um clássico da literatura de cordel.

Por força de representação Arthur Big Head decidiu incluir nessa crônica o emblemático poder lúdico dos bonecos de barro, em miniatura, da artesã Cicera de Heleno (Alto do Moura). O box foi confeccionado impecavelmente por D. Maria (Cia. das Caixas).

O fundamental apoio do Sistema de Incentivo a Cultura da Prefeitura do Recife possibilitou 80% da produção de todo o projeto Andaluza. Com tiragem de duas mil cópias, e mesmo sem ter sido lançado, o cd já vendeu pouco mais de 800 unidades. Com edição limitada devido ao alto custo de produção, o cd-box vem esgotando rapidamente.

ABH lançou mão de um novo formato buscando minimizar custos, para continuar divulgando o Projeto Andaluza. Serão produzidas mil cópias na versão box acrílico. Uma variante (adaptação) com o encarte mais extenso, no entanto, sem os elementos da versão cd-box (bonecos de barro, cordel, hq’s, folder, adesivos). Assim a crônica contará com dois formatos emblemáticos de embalagem: box super luxo e box acrílico.


CD Faixa a Faixa

O primeiro momento do disco é composto por três músicas (fxs. 1, 2, 3). Representando: Valentia, devoção, fé. A trilogia da sístole. Ingredientes presentes n’alma nordestina. Vestígios do hibridismo expresso pela pedra da fusão musical.


1-Lampião

Fusion rock baseada em hibridismo cultural. A idéia central é tentar retratar um trovador que canta a “liberdade selvagem” do caba Lampião em seu caminho; de cangaço e fé! Todo o disco segue este mote. Baião, hard, frevo, core, pulsante. Buscando respostas na Filosofia, na Antroposofia, no cinema das décadas de 50/60. Uma trilha para a guitarra cangaceira. A esse anseio de brasilidade novas descobertas foram feitas trilhando os caminhos da alma nordestina.

Um certo sentimento de solidão tão bem traduzido pela caatinga. A filosofia de um código honra, cangaço, norteava os atos na vida, amor e ódio eram componentes numa moral onde a morte era o preço mais alto. A guitarra trás a boca o gosto do sangue na impecabilidade do caçador. E o aço, no sertão, ainda é usado como um instrumento para exigir justiça para todos. Letra/musica: ABH


2-Angico (A Pedra & A Flor)

É uma narrativa de um grande amor. Belíssimo momento criado pelo poeta, xilógrafo e cordelista J. Borges. Uma mostra do encontro da tradição com a guitarra. O resultado é que o poeta popular, imbuído de sentimento, teve na guitarra do AHB o esteio para declamar sobre o amor da Pedra e a Flor. J. Borges é um dos artistas mais significativos no que diz respeito à alma pernambucana.

Ele traduziu com fidelidade orgulho, honra e valentia. E a vitória do amor impossível. O nordestino em sua luta contra a fome, sede, injustiça social, abandono governamental, não se deixa abater. Sua principal fonte de inspiração é o metamorfoseante amor a terra. Esse “homem do interior” se sente parte do lugar onde nasceu. Sextilha
J.Borges/guitarras ABH


3-Tudo É Nossas Mãos

Um canto de guerrilha espreita interior. Exaltação aos velhos homens de conhecimento; xamãs, feiticeiros, pajés, babalorixás, grandes guerreiros de um tempo perdido. Com rompantes de guitarras em desacordo com o estabelecido. Que nega o que não pode compreender. Ou que faz de acordo com a conveniência.

A letra é um aviso aos que buscam um caminho de reencontro consigo. Esse divino momento também passa pelos olhos dos guardiões. Urge ser o que somos, ou seja, a verdade como regra das ações. Nas mãos estão contidos segredos da vida. A guitarra trás em sua sinfonia distorcida fragmentos da Era do metal. Letra/musica: ABH


O segundo momento é composto por mais três músicas (fxs. 4 ,5, 6). Representam: Justiça, metamorfose, ideal. Trilogia da Vontade. Vestígio da Nobre Ira, componentes n’alma dos grandes guerreiros nordestinos. Meditatividade em plena caatinga na sombra do imbuzeiro


4-Até Quando

MPB será que podes aceitar a fusion da Andaluza como música brasileira? Reconhecer é apenas um momento, pois a MPB está com problema de identidade. Parece que o samba tomou porrada do pagode, e brega é pop até no vaticano! A Música foi substituída pelo hit. Alimentada pelo jabá a mpb vem se transformando num quadrado.

A letra de “Até Quando” é inspirada em “Artes de Pássaro”, livro do prof. Edson Melo. Ele chama a atenção para o que somos. A descoberta é fruto de observação interior. O que busca um pássaro, entre terras de coqueiros, se não a liberdade do céu numa tarde de verão. Letra/musica: ABH


5-Mentes em Eclipse

Quando nos debruçamos sobre o caos social reinante e nos voltamos para o modelo humano tomado como padrão passamos a observar uma série de distúrbios que provêem da falta de compreensão do homem consigo. Sill foi muito feliz em colocar a inexistência de grandes valores, ou mesmo apenas um Ideal, para grande parte da humanidade, que possa enobrecer, transformar os homens, que cada vez mais estão sendo guiados pelo materialismo.

Ele, intuitivamente, expressava um certo sentimento contido na filosofia do Farias Brito. Razão pela qual resolvi unir os dois conteúdos d’alma. Letra: Sill e ABH/musica: ABH


6-Andaluz

Uma alusão ao ideal que é a mola impulsora da proposta do projeto Andaluza. Hibridismo cultural e fusion rock (pedra da fusão). A península ibérica, por volta do século XV, foi uma área de encontro étnico. Diversas culturas, religiões, expressões artísticas encontravam-se naquele ponto.

Andaluz é um conceito simbólico. Emblemático. Uma tentativa de unificar poderes híbridos contra o dragão do “tu deves, contra o imperativo categórico”. Um pedido de proteção a São Jorge! O cavaleiro entre a morte e o diabo. Letra: Almir da hora e ABH/musica: ABH


Momento único do encontro do ser com a morte (fx. 7). Contudo um aviso para inconseqüentes. A vida é um dom, quando esquecemos dela o valor intrínseco ao ser humano é animalizado, banalizado, e a morte passa a representar artigo de consumo do diabo.


7-Tendência Suicida

É a verídica história de um “mano” que passou pela desconfortável estatística dos que morrem por abuso de drogas. A letra fala do exemplo de como uma vida pode ser destruída pelo vício, pelas péssimas companhias, pela violência contra se mesmo e principalmente pelo desprezo familiar.

A intenção é gerar uma ambiência que proporcione, na alma do ouvinte, a sensação de torpeza, do impulso de levar a vida flutuando. Desviando da morte. Mas com a certeza de que o encontro com ela será terrível. Assim o som vai mesclando possibilidades imaginativas mostrando que é preciso não perder o pulso. Esperança e Fé!!! Letra/musica: ABH


Terceiro momento. Composto por três músicas (fxs 8, 9, 10). Representam: Arte, Filosofia, Antroposofia. Pontos de luz rumo ao rg-lúdico-etnográfico. A trilogia da diástole. A lição de sabedoria do amor entre a Pedra (Lampião) e a Flor (Maria Bonita). A força d’alma nordestina.


8-Viellen Dank Bárbara

A criança é a lembrança dos antigos poderes, o inicio da humanidade, a possibilidade do homem encontrar a cura do mal. O novo pronto a recomeçar. Eterna possibilidade de recriar, sempre iniciar, não se abater. Essa constatação veio através do Pablo Borges em sua xilo “O Peixe de Perna” e a graciosidade da Bárbara Araújo.

Esse sentimento de retribuição é uma homenagem aos anjos e erês que sempre me ensinam sobre Deus. “O Erê será um alvo no espírito quando tudo for abandono”.
Instrumental: ABH


9-Madrigal

Nesse segundo momento da trilogia da diástole surge a inspiração através da grande amiga Sabedoria, ela me proporciona imaginar a flor de lótus sobre a pedra na caatinga. Um mergulho rumo ao entendimento. O encontro com modos esquecidos de compreender as leis da vida. Ela reflete Eras de sabedoria, preenche o mote do trovador com conteúdo intuição, faz disso um sol para o espírito e assim ilumina as coisas do mundo sobre a Terra.

O segredo é a amizade, o amor ao conhecimento. Há o encontro entre violões e efeitos sintetizados. Buscando lançar o ouvinte no âmbito do sentimento de admiração. Contemplação meditativa. Letra/musica: ABH


10-Aamot

Homenagem a Daniel Aamot (fotógrafo). Americano, quando descobriu Recife fez questão em morar, trabalhar e constituir família aqui. Foi durante esse tempo que conheci o grande amigo. Um certo dia, ele me falou sobre o sentimento e o significado do Blues, do canto para o céu azul e a tristeza dos dias cinzas.

Aamot significa onde os caminhos se encontram no vale. Essa interpretação me fez associar Daniel aos grandes guerreiros do Norte. A possibilidade do encontro entre diferentes aliados. A nobreza do seu respeito pela minha cultura justifica gestos e ações de homens como Antônio Conselheiro, Lampião, as viúvas da seca, o homem gabiru. Um canto de amizade!

Esperança de dias melhores. O povo nordestino é muito receptivo, hospitaleiro. Nossos sinceros votos para que esse modo, todo especial de ser, continue assim. Sendo um exemplo de quilombo cultural. Instrumental: ABH

Fonte: www.nelsons.com.br - 05/12/2003

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