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Segundo lançamento do intérprete pernambucano radicado no Rio de Janeiro, Fernando Rocha, o CD Palavra Nordestina é dividido com o talentoso violonista cearense Nonato Luiz, o qual também empresta a virtuose de suas cordas para dois pot-pourris instrumentais da obra de Luiz Gonzaga e parceiros: "A Volta da Asa Branca/Pau de Arara/Asa Branca" e "Aria/Acauã/Assum Preto".
Além delas, Nonato Luiz também imprime suas impressões digitais sonoras, ao lado de outros músicos, em perfeita sintonia com a voz de Fernando Rocha, em clássicos da música nordestina: "Feira de Caruaru", "Miragem do Porto", "Meu Pião", "Linda Flor da Madrugada", "Recife", "A Dor de uma saudade", "Lua Bonita", "Pau de Arara", "Cantiga (Caicó)", "Sodade, Meu Bem Sodade", "Baião da Rua", "Dora", "Açucena Cheirosa", "Olha Pro Céu", "ABC do Sertão", "Incelença", "Cajuina" , "Vem Morena" e "Lá no Alto Mar", esta última, uma ciranda, a estréia de Fernando Rocha também como compositor.
Palavra Nordestina é apresentado pelo criterioso colecionador, musicólogo e crítico carioca Ricardo Cravo Albin, o qual escreveu o seguinte: "A um velho pesquisador, como eu, com já numerosas e cada vez mais incômodas décadas de estrada no ofício de ouvir/avaliar discos, poucas coisas são capazes de surpreender.
Acode-me agora, ao ter em mãos este CD – o encontro de Fernando Rocha com Nonato Luiz – que tanto um quanto o outro já foram capazes de me provocar essa gratíssima e cada vez mais rara sensação, que cai na alma e nos ouvidos como um bálsamo.
Nonato Luiz foi o primeiro, quando há muitos anos atrás, o Billy Blanco me pediu para ouvi-lo. O jovem cearense extraía uma torrente vertiginosa de sons do seu violão, uma untosa cachoeira de acordes disparados com graça e talento. Fiquei pasmo e, ali mesmo, não tive dúvidas de que Nonato era uma estrela.
Muito mais recentemente, pasmo também fiquei ao ouvir um cantor, que se dizia amador, no surpreendente espetáculo "Chuveiro Iluminado". Ele participa do grupo de cantores do chuveiro, intelectuais de várias procedências que cantam pelo simples prazer de cantar. Era o psicanalista pernambucano Fernando Rocha, doutor consagrado por galas e loas acadêmicas.
No dia seguinte, surpreendia-me ainda mais com seu primeiro CD, em louvor a Cartola, o maior dentre todos os poetas da Mangueira. O disco do Fernando me encantou , sobretudo pela simplicidade e despojamento empregados ao cantar os versos do rapsodo carioca, que clamam exatamente por tais comedimentos, no desenho de suas imagens lírico-poéticas, transfigurando o banal em achados da arte de dizer e sentir.
Pois bem, agora, ao ouvir este belo e generoso Palavra Nordestina, mesmo esperando que surpresa alguma devesse assaltar mais meu velho coração, já acostumado, por certo, ao talento do cantor e do violonista, voltaram ambos a me surpreender. E pelo simples fato de que esse CD representa uma provocadora configuração, uma revisão do cantar/sentir nordestino, música exuberante quase sempre, por vezes até frenética na diversidade e no calor de seus ritmos.
E por quê ? Porque Fernando e Nonato fizeram perpassar nas interpretações das 17 faixas, um sopro de lirismo tal, que reverte toda a dinâmica do rio musical agitado do Nordeste. O rio musical veemente que esperava ouvir, passou a correr pelos meus ouvidos como um refinado córregozinho, capaz não mais de cachoeiras estrepitosas, mas de bulícios suaves, quase embaladores.
Ouvir este Palavra Nordestina me fez entender melhor, acreditem, toda a veemência selvagem do Nordeste, porque agora, finalmente, executada com um outro viés de sentimento, a insuperável batida de corações enternecidos, amolecidos e domados, líricos e ternos, sábios, portanto.
Em resumo, arrisco dizer que este disco me caiu na alma como um bálsamo, uma doce sensação de paz, tal como um soneto de Camões, uma dose de um puro malte de 17 anos, um conto de Machado ou um beijo descansado depois do amor."
Rio, 31 de julho de 2000. Ricardo Cravo Albin.
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Fernando Rocha (voz), Nonato Luiz (arranjos e violão), Rafael Rocha (voz, pandeiro, zabumba, agogô, reco-reco de mola, triângulo, lata, ovinho, caixa, surdo, bateria, pau de chuva, caxixi, carrilhão e sino), Felipe Rocha (voz, contrabaixo e arranjo de cordas), Rafael Miranda (caixa), Tina Werneck (viola), Alba Christina Bomfim (violoncelo), Adriana Rodrigues Didier, Arethusa F. Medeiros, Fernando Duque, Marcia Grandi, Marcia Rodrigues Didier, Marcio Thadeu, Mildred F. Medeiros e Sandra Magalhães Gonzaga (coro), Fernando Maciel de Moura (regência de coro) e Kiko Horta (sanfona). Produção e direção artística – Fernando Rocha.
Produção executiva – Branca Ramil. Gravado e mixado no Alfredo Dias Gomes Studio ADG Studio, Rio de Janeiro, junho/julho de 2000. Masterização – Vison Digital; Técnico de masterização – Luiz Tonaghi; Projeto gráfico – Tatiana Podlubny; Xilogravuras – Erivaldo e Fotos – Ruth Mylius Rocha e Juliana Coutinho.
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